Tecnologias de Convivência

 

Cisterna-de-placa

Cisterna de Placas:

Tecnologia social desenvolvida pelas instituições que compõem a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA). Tem capacidade de armazenar 16 mil litros de água da chuva para o consumo humano. A água da chuva é captada por calhas ou tubos geralmente instalados no telhado das moradias, devendo ter uma área de captação mínima de 40 m2. Para garantir a qualidade da água, a tecnologia deve ser construída longe de lixões, currais, fossas, árvores e demais pontos que possam comprometer a estrutura do reservatório e a qualidade hídrica. A cisterna deve ser lavada e desinfetada antes do período chuvoso de cada ano. A captação de água deve ser sempre após as primeiras chuvas, pois estas servem para lavar as sujeiras e detritos que se acumulam no telhado. Para retirar água do reservatório deve-se usar um vasilhame limpo e exclusivo para este fim. Antes do consumo humano a água precisa ser fervida e tratada com cloro. É importante manter a tampa fechada e cercar a área da cisterna evitando a aproximação de crianças e animais.

 

Cisterna-Calçadão

Cisterna Calçadão:

É uma tecnologia que capta água da chuva por meio de um calçadão de 200 m2 construído próximo à área de produção. Tem capacidade para armazenar 52 mil litros de água. A água é escoada para a cisterna por meio de canos ligados ao calçadão. Este deve ser construído na parte mais baixa do terreno e localizado em solo plano para reduzir gastos excessivos com aterro e possíveis vazamentos. Sua estrutura é construída de placas a base de cimento para evitar rachaduras. A água é usada para produzir hortaliças, plantas medicinais e frutíferas, além da criação de pequenos animais presentes no quintal produtivo da família. Após 24 horas da construção, o reservatório precisa receber água e jamais ficar seco, garantindo que não haja danos no piso. Anualmente deve ser pintada de branco. A cor reflete a luz do sol diminuindo o aquecimento da água. A área do calçadão pode ser usada para secagem de grãos como milho, feijão e raspa de mandioca.

 

Tanque-de-pedra

Tanque de Pedra:

Uma tecnologia comum em área de lajedos. Neles são construídas paredes localizadas nas partes mais baixas ou no entorno do tanque natural servindo de barreira para acumular mais água. A capacidade de armazenamento depende do tamanho e da profundidade do caldeirão. É uma tecnologia de uso comunitário onde as famílias se beneficiam da água para cultivar pequenas plantações, dar de beber aos animais e auxiliar nos afazeres domésticos como a lavagem de roupas. Esta atividade deve ser feita fora do tanque e as pedras podem ser usadas na secagem das roupas. A área do reservatório precisa ser cercada para restringir o acesso dos animais. Quando o tanque estiver seco deve ser realizada uma limpeza com a retirada da vegetação acumulada e a manutenção da água limpa para as múltiplas atividades.

 

 

Bomba-Dágua-Popular

Bomba d’Água Popular (BAP):

Uma tecnologia comunitária de baixo custo que garante água para toda a comunidade, principalmente nos períodos de estiagem. O reservatório consiste no aproveitamento de poços tubulares desativados com profundidade de até 80 metros, no qual é extraída água subterrânea por meio de um equipamento manual a base de uma roda volante de fácil manuseio. Para garantir bons resultados é preciso manter limpos o sistema de drenagem, todas as partes da BAP como a vareta, o cilindro, a tubulação e o eixo, além de verificar se há desgaste em alguma peça e trocar quando necessário, para não haver ferrugem. A parte externa da bomba deve ser pintada com tinta óleo, sobretudo o pedestal. O espaço da tecnologia deve ser mantido limpo para conservar a qualidade da água armazenada. O reservatório deve ser protegido das ações do sol e da chuva por meio de uma cobertura. Com os cuidados necessários, a BAP pode durar mais de 50 anos, garantindo as famílias beneficiadas água para produção de alimentos, para o cuidado dos animais e as diversas atividades domésticas.

 

 

 

Cisterna-de-enxurrada

Cisterna de Enxurrada:

Esta tecnologia capta água da chuva utilizando o próprio terreno como fonte captadora. Tem capacidade de armazenamento para até 52 mil litros de água. Da mesma forma que a cisterna calçadão, ela é construída dentro do chão ficando exposta apenas a cobertura da tecnologia. A água que escorre no terreno é captada por dois ou três decantadores, que são caixas pequenas feitas em sequência com a função de filtrar a areia e outros detritos existentes no solo, impedindo que eles se acumulem na cisterna. A água é retirada por bomba manual ou elétrica, podendo ser usada na criação de pequenos animais e no cultivo de hortaliças, plantas medicinais e frutíferas da produção familiar. Para cuidar do reservatório é preciso evitar que animais frequentem a área cercando o espaço, evitando também possíveis acidentes com crianças no local. Manter o entorno da cisterna bem aterrado para evitar danos e anualmente realizar uma pintura na área externa.

 

 

Barreiro-trincheiraBarreiro Trincheira:

O barreiro é uma tecnologia popular de convivência com o Semiárido construído próximo à área da produção familiar em terreno plano de solos que apresentam uma boa capacidade de retenção de água (solos argilosos e piçarras), devendo-se evitar a construção em solos arenosos. São tanques longos, estreitos e fundos com a dimensão de 30 a 40 metros de comprimento, cinco de largura e quatro de profundidade com a capacidade mínima de 500 mil litros de água. Seu formato tem como objetivo diminuir o espelho d’água para evitar a evaporação, garantindo água por mais tempo, mesmo no período de estiagem. Para evitar danos são necessários alguns cuidados com a tecnologia, como o plantio de graminhas nas margens do barreiro, limpeza e construção de uma barreira na área de entrada da água. A lama acumulada no fundo do barreiro pode ser utilizada como adubo para a plantação, auxiliando na fertilidade das plantas, bem como na recuperação dos solos.

 

Barraginha

Barraginha:

Uma tecnologia popular de convivência com o Semiárido que tem como finalidade a recuperação de áreas degradadas com a produção agrícola e o cultivo de forragem. Deve ser construída próxima à área produtiva no formato de um semicírculo com dois ou três metros de profundidade, com variação de 12 a 30 metros de diâmetro. O reservatório armazena água da chuva por no mínimo três meses, permitindo que a umidade do solo se prolongue por mais tempo. De acordo com o tamanho do terreno e o grau de degradação recomenda-se que sejam escavadas barraginhas sucessivas em declive, assim, quando uma sangrar a água pode abastecer a seguinte. Para conservar a tecnologia é importante introduzir plantas nativas e construir barreiras naturais para diminuir a intensidade da água e barrar os sedimentos. A lama acumulada no fundo do barreiro pode ser utilizada como adubo para a plantação, auxiliando na fertilidade das plantas, bem como na recuperação dos solos. Com a água armazenada podem ser cultivados legumes, verduras e frutas para o consumo da família e também para dar de beber aos animais.

 

Barragem-subterrânea

Barragem Subterrânea:

Uma tecnologia popular de convivência com o Semiárido de fácil construção que possibilita a produção agrícola e viabiliza a criação de animais. Construída em áreas de baixios, córregos e riachos que não tenham grande vazão de água. A construção consiste na sondagem do terreno para averiguar a profundidade do salão tanto nas ombreiras quanto ao centro. Após a sondagem inicia-se a escavação de uma vala no sentido transversal ao riacho, e é usada uma lona especial para a impermeabilização de toda a área da extensão do salão barrando a água no subsolo, no intuito de diminuir as perdas de água com os efeitos do sol e do vento. Também é importante construir um poço dentro da área da barragem que tem como objetivo a utilização da água para a irrigação e monitorar o volume hídrico da barragem. O armazenamento da água garante produção o ano inteiro de culturas perenes e anuais como frutas e hortaliças, como também o cultivo de plantas nativas e graminhas que têm como objetivo atender a criação de animais e controlar a salinidade do solo, que pode ser causado também pelo acumulo de água por longos períodos no subsolo. Para evitar isso é necessário monitorar a água e avaliar anualmente o grau de variação de salinidade. A área de produção precisa ser mantida com cobertura vegetal e é importante que animais sejam mantidos longe da área da barragem para evitar a compactação do solo e contaminação da água.



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