Projetos

Água de Reuso para os Quintais de Maria:

O projeto de implementação do sistema bioágua e de quintais produtivos agroecológicos foi desenvolvido em três comunidades do Semiárido cearense, na região da serra da Ibiapaba: Albino, no município de Ubajara; Areia Branca, em Tianguá; e Volta dos Almeidas, em Granja. Como o acesso aos direitos básicos, tais como água e alimentação, seguem sendo violados no território, tecnologias sociais como o bioágua são importantíssimas para que Marias e suas famílias possam alcançar segurança hídrica necessária para uma vida de melhor qualidade.

A ação da Cáritas Regional Ceará junto com a Cáritas Diocesana de Tianguá, a Escola Família Agrícola da Ibiapaba – Chico Antônio Bié e a Universidade Federal do Ceará envolveu formações e intercâmbios, além da implementação do bioágua e dos quintais em trinta casas. Os intercâmbios aconteceram em comunidades de Crateús e Itapipoca, onde as famílias da Ibiapaba puderam conhecer de perto os resultados da adoção da tecnologia. Já as formações foram realizadas nas próprias comunidades em diferentes módulos que trataram da produção agroecológica, do protagonismo das mulheres na produção e a gestão e manejo da água reutilizada através do bioágua.

O projeto foi realizado de junho de 2017 a junho de 2018, com financiamento da Fundação Banco do Brasil. Saiba mais!

P1MC:

O Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC) foi criado pela Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), em 2003, e é uma das ações do Programa de Formação e Mobilização Social para a Convivência com o Semiárido. O intuito do P1MC é assegurar que 5 milhões de pessoas em toda a região semiárida tenham acesso à água potável para beber e cozinhar por meio da captação da água das chuvas em cisternas de placas, uma das tecnologias de convivência que são utilizadas no território. A quantidade de 1 milhão de cisternas têm capacidade total de acumular 16 bilhões de litros de água formando uma infraestrutura descentralizada de abastecimento.

As famílias que são atendidas pelo programa residem permanentemente na área rural e não têm acesso ao sistema público de abastecimento de água. Outro pré-requisito é que tenham renda de até meio salário mínimo por membro e estejam incluídas no Cadastro Único do Governo Federal pelo Número de Identificação Social (NIS).

No Ceará já são mais de 89 mil cisternas construídas pelo P1MC. Até novembro de 2015, o número total de cisternas em todo o Semiárido já chegava a mais de 578 mil. A ASA conta com a parceria de pessoas físicas, agências de cooperação, empresas privadas e Governo Federal.
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P1+2:

O Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2) também integra o conjunto de ações do Programa de Formação e Mobilização Social para a Convivência com o Semiárido da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA). 1 significa terra para produção e 2 faz referência a dois tipos de água: a potável, para consumo humano, e a água para a produção de alimentos.

Enquanto o P1MC garante água somente para o consumo humano, o P1+2 amplia o acesso para que as famílias do meio rural possam também plantar e criar animais, colaborando, assim, com o processo de soberania das comunidades, com a segurança alimentar e nutricional e com a geração de emprego e renda por meio da agricultura. Esta baseada no acesso e manejo sustentáveis da terra e da água e de outros valores agroecológicos, repassados em momentos de formação junto às famílias.

O P1+2 implementa vários tipos de tecnologia. A definição depende de características como o tipo de solo, de produção e do manejo para que seja possível avaliar qual é a mais adequada à realidade específica. Entre os requisitos estão: famílias que já tenham acesso à água para o consumo humano, mulheres chefes de família, famílias com crianças de 0 a 6 anos ou com crianças e adolescentes frequentando a escola, e pessoas com deficiência.

No Ceará o número de tecnologias implementadas através do P1+2 já são mais de 12 mil.
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Educação Contextualizada:

Educação Contextualizada para a Convivência com o Semiárido (ECCS) leva para dentro de escolas públicas, sobretudo do campo, o que há de mais avançado e moderno em políticas e tecnologias de convivência com o Semiárido, aliado ao que se tem de melhor no acúmulo em educação popular e humanitária. É como ver ganhar vida através de crianças, adolescentes, educadoras e educadores, no dia a dia da sala de aula, diversos debates que sempre pareceram restritos às faculdades de educação e/ou a rodas de conversa de movimentos sociais. Quando o primeiro passo rumo ao conhecimento geral é conhecer o próprio chão, a educação formal ganha sentido, e a mudança de comportamento, de relações com o outro e a outra e com o próprio meio ambiente são palpáveis e críveis.

Na região dos sertões dos Inhamuns/Crateús esse método é adotado desde 2002. Atualmente a proposta já está em escolas de cinco municípios: Independência, Quiterianópolis, Ipaporanga, Nova Russas e Tamboril. Nestes dois últimos, a Educação Contextualizada já é lei, inclusive. Em Tamboril, até 2016 serão 100% das escolas públicas municipais que vivenciarão esse modo de ser e viver a educação, sendo que atualmente em todas as escolas da zona rural isto já é realidade. Nestas localidades, especialmente em Tamboril, é possível constatar déficit na evasão escolar, redução de queimadas – e outros exemplos de como há uma melhor relação com o meio ambiente -, a participação ativa da comunidade na vida escolar, entre outros exemplos que eram visto como utópicos para o ensino público, sobretudo, do campo.



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