Redes de Intercâmbio de Sementes

As Redes de Intercâmbio de Sementes são espaços deliberativos e de organização das Casas e Bancos de Sementes comunitárias, e também de formação, onde se discutem questões de soberania e segurança alimentar e agroecologia. Reúnem milhares de famílias e comunidades em torno de estoques comunitários, promovendo também a sua articulação e multiplicação, como forma de resgatar, preservar e ampliar essas práticas e distribuir as sementes crioulas.

As famílias camponesas pegam emprestadas as sementes no início do ano para seus cultivos e roçados coletivos, e repõem as sementes às Casas após o plantio, quando também se realizam as Festas de Celebração da colheita em muitos territórios.

Esse estoque de sementes crioulas à disposição para o plantio é de fundamental importância em um contexto em que o abastecimento de sementes às comunidades feito pelo governo é, em grande parte, de variedades híbridas, que não permitem reprodução, ou de espécies de outras regiões do Brasil, não adaptadas às condições no semiárido, ou, ainda, chegam com atraso ao tempo ideal de semeadura.

As Casas de Sementes e Redes de Intercâmbio de Sementes (RIS) acompanhadas pela Cáritas tiveram sua implantação apoiadas pelo financiamento da Fundação Banco do Brasil; pela União Europeia; pelo Fundo Nacional de Solidariedade da Campanha da Fraternidade; pela Cáritas Espanhola; e pelo programa Sementes do Semiárido, da Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA), em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Esses projetos vêm para ampliar a proposta de apoio às ações de convivência com o semiárido, agregando o armazenamento e a preservação das sementes às práticas de estocagem de água, e constituem um marco dentro da Polícia Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (PNAPO) e Política Nacional de Segurança Alimentar. Reforçam o resgate e a valorização do patrimônio genético, por meio do fomento à criação de novas casas de sementes e do apoio às que já existem, bem como da promoção de atividades de mobilização em torno desses espaços coletivos, como a realização de encontros, formações, intercâmbios e trocas entre agricultores e elaboração de materiais didáticos.

No Ceará, a Cáritas acompanha 6 Redes de Intercâmbio de Sementes regionais, em parceria com Sindicatos de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais e associações comunitárias, e com outras instituições que as acompanham, como Esplar, Obas, CPT, CETRA e as paróquias locais. Elas se organizam em dimensões locais, municipais e regionais, em torno de diversas atividades além do empréstimo e estocagem de sementes, com reuniões periódicas, encontros de formação e de intercâmbios entre comunidades e organizações, festas comunitárias de celebração das colheitas anuais, participação nas feiras da agricultura familiar etc.

RIS ZONA NORTE

Abrange 86 casas de sementes em 11 municípios da região norte do Ceará (Alcântaras, Pacujá, Morrinhos, Santa Quitéria, Frecheirinha, Bela Cruz, Marco, Forquilha, Santana do Acaraú, Sobral e Massapê).

RIS IBIAPABA

Reúne 19 casas em 6 municípios (Tianguá, Ubajara, Ibiapina, Carnaubal, São Benedito, Viçosa do Ceará, Granja).

RIS CENTRO SUL

Apoia 16 casas de sementes em 5 municípios da região centro-sul do Ceará (Acopiara, Jucás, Saboeiro, Senador Pompeu, Pedra Branca).

RIS TRÊS CLIMAS

Possui 44 casas de sementes em 10 municípios (Irauçuba, Itapipoca, Tururu, Trairi, Pentecoste, General Sampaio, Apuiarés, Itapajé, Amontada e Miraíma).

Outras três Redes regionais estão em fase de consolidação:

RIS CARIRI

Já reúne 23 casas em 09 municípios do Cariri cearense (Crato, Nova Olinda, Várzea Alegre, Caririaçu, Salitre, Milagres, Potengi, Altaneira, Santana do Cariri).

RIS INHAMUNS

Conta com 45 casas de sementes em 5 municípios do sertão cearense (Independência, Tamboril, Quiterianópolis, Nova Russas, Tauá e Ipaporanga).

RIS VALE DO JAGUARIBE

Está com 24 casas em 8 municípios da região Jaguaribana, que é fortemente impactada pelo agronegócio e agrotóxicos (Aracati, Fortim, Palhano, Russas, Pereiro, Jaguaribe, Potiretama, Limoeiro do Norte).



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