Campanha

Caminhos possíveis para o uso sustentável da água

A Campanha Água Nossa de Cada Dia surgiu da necessidade e vontade de compartilhar indagações sobre as várias facetas da crise hídrica e apontar caminhos possíveis para o uso sustentável da água, como os que já são realidade por meio das práticas de convivência com o Semiárido. O clima em questão é porque falamos inseridos nele, a partir de experiências realizadas, mais especificamente, em território cearense. Mas como a água é um direito humano e elemento essencial à vida, o tema alcança qualquer indivíduo. Caso você tenha interesse em compreender, se aprofundar, discutir e compartilhar as questões que giram em torno da água, junte-se a Cáritas!

EIXOS

Direito à água

A água é um direito humano fundamental e não pode ser negado a nenhum indivíduo. Ela é compreendida por ser bem essencial à nossa sobrevivência. Mas falar em direito à água implica em uma série de usos que vão além da dimensão vital exclusivamente biológica. A água é direito também em sua dimensão cultural e mística, perpassa nossas formas de organização social e territorial. E mesmo em incoerência (por ser direito e um bem naturalmente reciclável), ganha valor econômico e dita relações de poder.

Compreender os aspectos sociais, políticos e históricos da relação humana com a água é imprescindível para olharmos os desafios que se apresentam na atualidade para a garantia do direito à água aos povos. No território Semiárido, queremos visibilizar e problematizar a previsibilidade dos períodos cíclicos de estiagem. Completamos um século de uma das secas mais marcantes da história do Nordeste e ainda vivemos a ausência de políticas públicas que respondam a situação de insegurança hídrica que se mantém. Há evidências de que as políticas adotadas não foram feitas para solucionar o aparente problema da escassez.

Água para quem?

Vivemos a escassez de água para uns e a garantia de água para outros. É preciso problematizar o uso da água como mercadoria em detrimento do uso da água como bem público, resultado do nosso modelo local/mundial de desenvolvimento econômico. 72% da água potável disponível no Brasil abastece a agricultura irrigada, em sua maioria a dos grandes latifúndios do agronegócio. Metade é desperdiçada por técnicas nada sustentáveis que utilizam muito mais do que as lavouras necessitam. O desperdício é aliado à contaminação. Com o uso massivo de agrotóxicos nas plantações, águas superficiais e subterrâneas nos territórios, contaminadas pelo veneno, ficam impróprias para o consumo.

Queremos expor a concentração de água também para as grandes indústrias energéticas como as do Complexo Industrial e Portuário do Pecém, no município de São Gonçalo do Amarante, e as que se anunciam para muito em breve, que serão construídas para a exploração de urânio (material radioativo e de fácil contaminação das fontes de água) e fosfato da mina de Itataia, em Santa Quitéria, e para a exploração de ferro das minas de Ipaporanga, municípios localizados no Sertão Central do Estado. Ou ainda para os grandes empreendimentos turísticos, como o Acquário Ceará, que consumirá 15 milhões de litros de água. O nosso problema não é escassez, é má gestão dos recursos hídricos.

Convivência e Preservação

Anos de medidas de combate à seca não solucionaram a escassez, a distribuição e os problemas com a qualidade da água para a população que vive no Semiárido. Foi preciso aprender a se adaptar às condições climáticas e políticas. É daí que vem a noção da convivência. A sabedoria popular adquirida pela observação da natureza garantiu formas bem sucedidas de produção na terra condenada à improdutividade. Aliadas às pesquisas científicas, o Semiárido ganhou técnicas sociais de captação e armazenamento de água, fazendo com que, mesmo em longos períodos sem chuva, a população tivesse água para beber, cozinhar e produzir. Foram os primeiros passos para garantir a vida no sertão e provar que ela é possível quando aprendemos a conviver com o clima e a natureza em sua completude.

Segurança alimentar, uso sustentável da água, preservação do meio ambiente, agroecologia. Esses são os princípios e valores da convivência, de uma realidade vivenciada em várias comunidades do Ceará e em todo o Semiárido. É desse território, que nos dá lições para o uso sustentável da água, que apontamos as possibilidades para superação da crise hídrica em todas as suas causas.



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